Surdocegueira
A
surdocegueira é uma terminologia adotada mundialmente para se
referir a pessoas que tem perdas visuais e auditivas concomitantes em
graus diferentes, podendo ser:
- Surdocego total
- Surdocego com surdez profunda associada com resíduo visual
- Surdocego com surdez moderada associada com resíduo visual
- Surdocego com surdez moderada ou leve com cegueira
- Surdocego com perdas leves, tanto auditivas quanto visuais
Definições
quanto ao período em que surge a Surdocegueira
- Surdocegueira congênita
- Surdocegueira adquirida
Deficiência
Múltipla
No
Brasil a deficiência múltipla é considerada como uma associação
de duas deficiências ou mais. Na América Latina, América do Norte,
Europa, Ásia e Oceania a Deficiência Múltipla só é considerada
se há nas associações das Deficiências a Deficiência
Intelectual.
Como
pode ocorrer a Deficiência Múltipla no Brasil:
Física
e Psíquica
Sensorial
e Psíquica
Sensorial
e Física
Física,
Psíquica e Sensorial
Por
que a Surdocegueira não é uma Deficiência Múltipla
A
pessoa que nasce com surdocegueira ou que fica surdocega não recebe
as informações sobre o que está sua volta de maneira fidedigna,
ela precisa da mediação de comunicação para poder receber,
interpretar e conhecer o que lhe cerca.
Seu
conhecimento do mundo se faz pelo uso dos canais sensoriais proximais
como: tato, olfato, paladar, cinestésico, proprioceptivo e
vestibular.
Na
deficiência Múltipla não garantimos que todas as informações
muitas vezes chegam para a pessoa de forma fidedigna, mas ela sempre
terá o apoio de um dos canais distantes (visão e ou audição) como
ponto de referência, esses dois canais são responsáveis pela
maioria do conhecimento que vamos adquirindo ao longo da vida.
Aspectos
Importantes sobre Comunicação com pessoas com Surdocegueira e com
Deficiência Múltipla
Para
as pessoas com surdocegueira e/ou com deficiência múltipla
dividimos a comunicação em Receptiva
e Expressiva, para favorecer a eficiência da transmissão e
interpretação.
A
comunicação receptiva
ocorre quando alguém recebe e processa a informação dada por meio
de uma fonte e forma (escrita, fala, Libras e etc). A informação
pode ser recebida por meio de uma pessoa, radio ou TV, objetos,
figuras, ou por uma variedade de outras fontes e formas. No entanto,
comunicação receptiva requer que a pessoa que está recebendo a
informação forme uma interpretação que seja equivalente com a
mensagem de quem enviou tentou passar.
A
comunicação expressiva requer que um comunicador (pessoa que
comunica) passe a informação para outra pessoa. Comunicação
expressiva pode ser realizada por meio do uso de objetos, gestos,
movimentos corporais, fala, escrita, figuras, e muitas outras
variações.
A
interação Social e a Comunicação- aspectos fundamentais para o
desenvolvimento da linguagem
Os
termos “interação social” e “comunicação” estão
intimamente relacionados. Tomemos por definição de interação
social o processo pelo qual dois indivíduos influenciam mutuamente
os atos um do outro. A comunicação implica em interação, e mais,
a comunicação é definida como uma forma de interação em que o
significado é transmitido por meio do uso de sinais, que são
percebidos e interpretados por um dos pares. Dado que a interação
é o “veículo da comunicação”, é obvio que, para um contato
ser mantido e para que haja uma interação harmoniosa, é
indispensável que se estabeleça uma comunicação de alta
qualidade.
Nas
atividades do dia-a-dia com pessoas com surdocegueira, uma atitude
pode ser tanto social quanto comunicativa, dependendo da reação e
da interpretação de um dos pares, assim como da intenção da
pessoa com surdocegueira Mesmo no mais avançado uso da linguagem
formal e da comunicação, a interação sempre representa um papel
importante.
- Sua comunicação inicial é pelo movimento corporal e vocalizações.
- Precisam aprender por rotinas organizadas.
- A caixa de antecipação* será sua primeira estratégia de comunicação.
Caixa
de antecipação:
- qualquer objeto que permita guardar os objetos de referências de pessoas, ações, locais que começam a ter significado para a criança.
Objetos
de Referência:
- São objetos que têm significados especiais associados a eles, pois servem para comunicar sobre diversas situações.
- Eles tem a função de substituir a palavra, assim podem representar pessoas, objetos, lugares, atividades ou conceitos.
- Possibilitam um distanciamento espacial ex: um outro ambiente e ou distanciamento temporal:ex: passado ou futuro (função antecipação).
O
que os objetos de referência podem representar:
- Atividades- O objeto a ser selecionado deverá ser significativo para o aluno dentro da atividade, por exemplo: a caneca para tomar o café da manhã, pois o aluno a utiliza para executar a ação.
- Horários- É difícil para pessoa com surdocegueira e para pessoa com deficiência múltipla entender a principio horas, podendo ser representado por objetos que determinam o tempo, por exemplo, ampulheta, relógio quando há reconhecimento ou desenho da atividade com relógio para indicar o horário do acontecimento ou um objeto que determine a hora: A chave da casa para indicar que o período escolar acabou e que é hora de ir para casa.
- Qualificadores: São utilizados para qualificar ações, por exemplo: para Sim e Não o sim é representando por um objeto em formato de X e o Não em formato de Círculo.
- Lugares: Para representar o espaço, deverá ser selecionado algo significativo do contexto daquele espaço a ser utilizado e fixado na porta de entrada do mesmo.
- Pessoas: É selecionado algo que para pessoa tenha um significado e a pessoa com surdocegueira possa manuseá-la sem constrangimento.
Porque
usar Objetos de Referência
- Para ajudar a lembrar de coisas e pessoas (reconhecimento e identificação).
- Entender melhor as coisas, saber seus significados para que serve, onde está, quem é a pessoa.
- Comunicar-se com outras pessoas, quando já identifica e antecipa , demonstrando suas vontades, seu interesse e sentimentos.
- Usando os objetos de referência, experiências podem ser registradas em calendários e em livros de conversação. Os objetos de referência oferecem algo tangível – um meio concreto de se falar sobre experiências e eventos.
- Registrar os eventos dá à criança a oportunidade, por exemplo, de esperar por um evento agradável.
- A criança pode também expressar desejos com relação ao futuro, assim como ser capaz de olhar para trás para eventos do passado. É dado então à criança com surdocegueira e ou para criança com deficiência múltipla oportunidade para tornar-se uma pessoa com presente, passado e futuro.
Como
ocorre o processo de desnaturalização de um objeto para escrita
O
que é o processo desnaturalização do objeto?
Sair
do concreto (objeto tangível) para a figuras ou a escritas
(bi-dimensão).
Exemplo:
- Atividade: Beber água
1º
Passo: A pessoa utiliza o próprio copo que bebe água.
2º
Passo: Colar o objeto em: papelão, papel ou madeira processo de
pareamento.
3º
Passo: Cortar parte do copo e colar no papelão.
4º
Passo: Realizar junto com a pessoa com surdocegueira e ou com
deficiência múltipla o desenho de contorno do objeto.
5º
passo: Apresentar a figura do copo por meio de: desenho, foto e ou de
uma figura de uma revista.
6º
Passo: Apresentar um cartão com palavra escrita em tinta ou escrita
em braile.
Quando
iniciamos o processo de desnaturalização?
Quando
percebemos que a pessoa já reconhece (antecipa) a função.
Do
sinal para o símbolo
Os
objetos de referência podem se desenvolver em símbolos verdadeiros
se vierem a funcionar crescentemente em situações diferentes
(descontextualização). Por exemplo, O copo não é mais somente
aquele objeto usado de manhã e de tarde, mas é também um objeto
usado por outros membros do grupo da criança, que pode ser comprado
na loja, que pode ter formas diferentes, que é lavado após ser
usado, e que sobre o qual se pode falar: “Quando você vai comprar
um novo copo?”.
O
uso do objeto de referência na conversação deverá sempre estar em
combinação com sinais de libras ou fala, assim a criança abandona
a idéia de que um objeto de referência deve sempre conduzir a uma
ação particular, mas sim de perceber que o objeto de referência
pode permitir se dar nome à coisa, por exemplo: “Aquilo é um
carro”. A criança internaliza isso e percebe que se pode dar nome
a tudo. Dessa forma é possível para a criança se desapegar do
mundo puramente pragmático.
PISTAS
Todas
as crianças começam logo cedo a prestar atenção nas pessoas,
lugares e o que ocorre a sua volta com combinações de várias
pistas.
Crianças
com surdocegueira e ou com deficiência múltipla, também no seu dia
a dia recebem várias pistas, o que passam a antecipar, lugar,
pessoas e ambientes.
Pista
de Contexto
- Fazem parte do ambiente.
- Podem ser: cheiro, sons, organização do ambiente e sons de pessoas.
- Usar Pistas concretas no contexto utilizado para identificar o espaço.
Pistas
de Movimentos
São
movimentos que são realizadas em conjunto com a criança, durante a
atividade. Por exemplo: fazer o movimento com a criança de balançar
e em seguida levar para balança.
Pistas
Táteis
São
estímulos táteis, por exemplo: tocar no ombro para colocar a
jaqueta.
É
importante uso destas pistas para pessoas com surdocegueira e com
deficiência múltipla que apresentam comunicação básica.
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