segunda-feira, 28 de abril de 2014

Surdocegueira
A surdocegueira é uma terminologia adotada mundialmente para se referir a pessoas que tem perdas visuais e auditivas concomitantes em graus diferentes, podendo ser:
  1. Surdocego total
  2. Surdocego com surdez profunda associada com resíduo visual
  3. Surdocego com surdez moderada associada com resíduo visual
  4. Surdocego com surdez moderada ou leve com cegueira
  5. Surdocego com perdas leves, tanto auditivas quanto visuais
Definições quanto ao período em que surge a Surdocegueira
  1. Surdocegueira congênita
  2. Surdocegueira adquirida

Deficiência Múltipla
No Brasil a deficiência múltipla é considerada como uma associação de duas deficiências ou mais. Na América Latina, América do Norte, Europa, Ásia e Oceania a Deficiência Múltipla só é considerada se há nas associações das Deficiências a Deficiência Intelectual.
Como pode ocorrer a Deficiência Múltipla no Brasil:
Física e Psíquica
Sensorial e Psíquica
Sensorial e Física
Física, Psíquica e Sensorial

Por que a Surdocegueira não é uma Deficiência Múltipla
A pessoa que nasce com surdocegueira ou que fica surdocega não recebe as informações sobre o que está sua volta de maneira fidedigna, ela precisa da mediação de comunicação para poder receber, interpretar e conhecer o que lhe cerca.
Seu conhecimento do mundo se faz pelo uso dos canais sensoriais proximais como: tato, olfato, paladar, cinestésico, proprioceptivo e vestibular.
Na deficiência Múltipla não garantimos que todas as informações muitas vezes chegam para a pessoa de forma fidedigna, mas ela sempre terá o apoio de um dos canais distantes (visão e ou audição) como ponto de referência, esses dois canais são responsáveis pela maioria do conhecimento que vamos adquirindo ao longo da vida.

Aspectos Importantes sobre Comunicação com pessoas com Surdocegueira e com Deficiência Múltipla
Para as pessoas com surdocegueira e/ou com deficiência múltipla dividimos a comunicação em Receptiva e Expressiva, para favorecer a eficiência da transmissão e interpretação.
A comunicação receptiva ocorre quando alguém recebe e processa a informação dada por meio de uma fonte e forma (escrita, fala, Libras e etc). A informação pode ser recebida por meio de uma pessoa, radio ou TV, objetos, figuras, ou por uma variedade de outras fontes e formas. No entanto, comunicação receptiva requer que a pessoa que está recebendo a informação forme uma interpretação que seja equivalente com a mensagem de quem enviou tentou passar.
A comunicação expressiva requer que um comunicador (pessoa que comunica) passe a informação para outra pessoa. Comunicação expressiva pode ser realizada por meio do uso de objetos, gestos, movimentos corporais, fala, escrita, figuras, e muitas outras variações.

A interação Social e a Comunicação- aspectos fundamentais para o desenvolvimento da linguagem
Os termos “interação social” e “comunicação” estão intimamente relacionados. Tomemos por definição de interação social o processo pelo qual dois indivíduos influenciam mutuamente os atos um do outro. A comunicação implica em interação, e mais, a comunicação é definida como uma forma de interação em que o significado é transmitido por meio do uso de sinais, que são percebidos e interpretados por um dos pares. Dado que a interação é o “veículo da comunicação”, é obvio que, para um contato ser mantido e para que haja uma interação harmoniosa, é indispensável que se estabeleça uma comunicação de alta qualidade.
Nas atividades do dia-a-dia com pessoas com surdocegueira, uma atitude pode ser tanto social quanto comunicativa, dependendo da reação e da interpretação de um dos pares, assim como da intenção da pessoa com surdocegueira Mesmo no mais avançado uso da linguagem formal e da comunicação, a interação sempre representa um papel importante.
    • Sua comunicação inicial é pelo movimento corporal e vocalizações.
    • Precisam aprender por rotinas organizadas.
    • A caixa de antecipação* será sua primeira estratégia de comunicação.

Caixa de antecipação:
  • qualquer objeto que permita guardar os objetos de referências de pessoas, ações, locais que começam a ter significado para a criança.

Objetos de Referência:
  • São objetos que têm significados especiais associados a eles, pois servem para comunicar sobre diversas situações.
  • Eles tem a função de substituir a palavra, assim podem representar pessoas, objetos, lugares, atividades ou conceitos.
  • Possibilitam um distanciamento espacial ex: um outro ambiente e ou distanciamento temporal:ex: passado ou futuro (função antecipação).

O que os objetos de referência podem representar:
  • Atividades- O objeto a ser selecionado deverá ser significativo para o aluno dentro da atividade, por exemplo: a caneca para tomar o café da manhã, pois o aluno a utiliza para executar a ação.
  • Horários- É difícil para pessoa com surdocegueira e para pessoa com deficiência múltipla entender a principio horas, podendo ser representado por objetos que determinam o tempo, por exemplo, ampulheta, relógio quando há reconhecimento ou desenho da atividade com relógio para indicar o horário do acontecimento ou um objeto que determine a hora: A chave da casa para indicar que o período escolar acabou e que é hora de ir para casa.
  • Qualificadores: São utilizados para qualificar ações, por exemplo: para Sim e Não o sim é representando por um objeto em formato de X e o Não em formato de Círculo.
  • Lugares: Para representar o espaço, deverá ser selecionado algo significativo do contexto daquele espaço a ser utilizado e fixado na porta de entrada do mesmo.
  • Pessoas: É selecionado algo que para pessoa tenha um significado e a pessoa com surdocegueira possa manuseá-la sem constrangimento.

Porque usar Objetos de Referência
  • Para ajudar a lembrar de coisas e pessoas (reconhecimento e identificação).
  • Entender melhor as coisas, saber seus significados para que serve, onde está, quem é a pessoa.
  • Comunicar-se com outras pessoas, quando já identifica e antecipa , demonstrando suas vontades, seu interesse e sentimentos.
  • Usando os objetos de referência, experiências podem ser registradas em calendários e em livros de conversação. Os objetos de referência oferecem algo tangível – um meio concreto de se falar sobre experiências e eventos.
  • Registrar os eventos dá à criança a oportunidade, por exemplo, de esperar por um evento agradável.
  • A criança pode também expressar desejos com relação ao futuro, assim como ser capaz de olhar para trás para eventos do passado. É dado então à criança com surdocegueira e ou para criança com deficiência múltipla oportunidade para tornar-se uma pessoa com presente, passado e futuro.

Como ocorre o processo de desnaturalização de um objeto para escrita
O que é o processo desnaturalização do objeto?
Sair do concreto (objeto tangível) para a figuras ou a escritas (bi-dimensão).
Exemplo:
  • Atividade: Beber água
1º Passo: A pessoa utiliza o próprio copo que bebe água.
2º Passo: Colar o objeto em: papelão, papel ou madeira processo de pareamento.
3º Passo: Cortar parte do copo e colar no papelão.
4º Passo: Realizar junto com a pessoa com surdocegueira e ou com deficiência múltipla o desenho de contorno do objeto.
5º passo: Apresentar a figura do copo por meio de: desenho, foto e ou de uma figura de uma revista.
6º Passo: Apresentar um cartão com palavra escrita em tinta ou escrita em braile.

Quando iniciamos o processo de desnaturalização?
Quando percebemos que a pessoa já reconhece (antecipa) a função.

Do sinal para o símbolo
Os objetos de referência podem se desenvolver em símbolos verdadeiros se vierem a funcionar crescentemente em situações diferentes (descontextualização). Por exemplo, O copo não é mais somente aquele objeto usado de manhã e de tarde, mas é também um objeto usado por outros membros do grupo da criança, que pode ser comprado na loja, que pode ter formas diferentes, que é lavado após ser usado, e que sobre o qual se pode falar: “Quando você vai comprar um novo copo?”.
O uso do objeto de referência na conversação deverá sempre estar em combinação com sinais de libras ou fala, assim a criança abandona a idéia de que um objeto de referência deve sempre conduzir a uma ação particular, mas sim de perceber que o objeto de referência pode permitir se dar nome à coisa, por exemplo: “Aquilo é um carro”. A criança internaliza isso e percebe que se pode dar nome a tudo. Dessa forma é possível para a criança se desapegar do mundo puramente pragmático.

PISTAS
Todas as crianças começam logo cedo a prestar atenção nas pessoas, lugares e o que ocorre a sua volta com combinações de várias pistas.
Crianças com surdocegueira e ou com deficiência múltipla, também no seu dia a dia recebem várias pistas, o que passam a antecipar, lugar, pessoas e ambientes.
Pista de Contexto
  • Fazem parte do ambiente.
  • Podem ser: cheiro, sons, organização do ambiente e sons de pessoas.
  • Usar Pistas concretas no contexto utilizado para identificar o espaço.
Pistas de Movimentos
São movimentos que são realizadas em conjunto com a criança, durante a atividade. Por exemplo: fazer o movimento com a criança de balançar e em seguida levar para balança.
Pistas Táteis
São estímulos táteis, por exemplo: tocar no ombro para colocar a jaqueta.

É importante uso destas pistas para pessoas com surdocegueira e com deficiência múltipla que apresentam comunicação básica.